Aboios de Djavan

Eu ainda estava na faculdade quando fui ver um show do Djavan pela primeira vez. Achei lindo. Muitos anos e doses de rabugice depois, peguei uma birra dele que só vendo.
Tudo começou quando ele teve a péssima idéia de escrever uma canção chamada “Se”, lançada no disco “Coisa de acender”, de 1992. Pra quem não tá ligando o nome à letra, basta citar os versos finais: ” Mais fácil aprender japonês em braille / do que você decidir se dá ou não”.
Na minha opinião, esses dois versos são de péssimo gosto, machistas pra valer. Estão entre as piores coisas da nossa MPB, que já conheceu momentos muito melhores, incluindo algumas canções do próprio Djavan.
Mas o pior ainda estava por vir: no final da década de 90, Djavan lançou um par de cds ao vivo, retomando sua obra em versão voz e violão.
Pronto, era o que faltava: os dois cds viraram sucesso instantâneo na categoria música ambiente. E pra piorar ainda mais as coisas, todo mundo que toca violão em barzinho parece que fez questão de aprender as músicas!
Resultado: basta a gente entrar em qualquer lugar que tenha MPB ao vivo pra ter uma overdose de Djavan, incluindo, claro, “Se” e seus versos finais pegajosos e de gosto duvidoso.
Enfim, as canções de Djavan acabaram virando munição infindável para aquela coisa desagradável que é a música compulsória…
Pronto, falei!
PS – O título é roubado da letra da canção “Pagã”, de Chico César, lindamente cantada por Renato Braz.

  6 comments

  1. Sandro Fortunato   •  

    Machista?! Só se no outro verso ele cantasse: “Insiste em zero a zero e eu quero um a ZERO”.

    “Soltar essa louca”? “Arder de paixão”? “Não há como doer pra decidir”? Ana, não tem nada de macho nessa música. Palavra de ogro.

    Ah! E Luciana Mello cantando “Se” é uma delícia! (isso foi machista) 😉

  2. Ana   •  

    Tá, pode até não ser machista… Mas babaca, sem dúvida… 😉

  3. Imaginauta   •  

    Mas, Ana, nem “japonês em braille” você acha simpático?
    Beijinhos.

  4. Renato   •  

    caraca! o “se dá ou não” pra mim significa “se dá pra gente ficar ou não”! sou ingênuo?

  5. Ana   •  

    Acho que sim, Renato! 😉

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