Amor, festa e devoção.


Fui ontem ver a estréia do “Amor, festa e devoção”, de Maria Bethânia, no Teatro Abril. Como muita gente me pergunta se gostei, e desta vez a resposta não é simples, resolvi escrever este pequeno texto sobre minhas impressões. Fiz muitas fotos, como sempre, e o link para vê-las está aqui.

Pra começar, preciso dizer que show da Bethânia, para mim, SEMPRE é bom. Não me arrependo de ter ido e iria de novo, se pudesse.
Fiquei também muito feliz pela decisão dela e da produção de não fazer mais shows em casas que mais parecem restaurantes que auditórios: foi maravilhoso ver Bethânia sem cheiro de cerveja e coxinha e garçons passando na minha frente a toda hora.
Considerando, entretanto, que venho assistindo a shows dela há uns dez anos e sou fã dela praticamente desde o início da sua carreira, preciso dizer que foi a primeira vez que não me emocionei.
Em primeiro lugar, achei que o roteiro do show estava mal costurado, com um sub-aproveitamento dos dois discos novos. Muitas músicas já conhecidas foram incluídas, algumas sem necessidade. Eu adoro “Dama do cassino”, por exemplo, mas acho que a interpretação de Bethânia não acrescentou nada à já clássica gravação de Jussara Silveira.
Da mesma forma, ainda acho que ninguém mais deveria cantar “Não identificado” depois da Gal Costa dos anos 70, mas a interpretação de Bethânia justifica-se pela explicação sobre a preferência do pai por aquela música.
Gostei da inclusão de “Serra da Boa Esperança”, e achei que ela encadearia com “Saudade”, de Chico César e Moska, uma das melhores coisas de “Tua” e que casaria muito bem com o tema e a melodia da maravilhosa canção de Lamartine Babo. Bethânia preferiu, entretanto, juntar a letra delicadíssima e elaboradíssima de “Saudade” à mais pura breguice sertanejo-pop de “É o amor”. Não gostei.
Enfim, por último, também vou aproveitar a minha rabugice de hoje e dizer que não gosto de cantores que lêem a letra das músicas, e acho que Bethânia abusou disso nesse show. Não me incomodo quando ela lê algum texto, mas cantar olhando pra estantezinha com a letra enquanto canta eu achei um pouco demais.
Só pra terminar e reforçar: eu sempre acho os shows de Bethânia maravilhosos. Iria novamente inúmeras vezes assistir de novo a “Amor, festa e devoção”, mas penso que em outras ocasiões Bethânia conseguiu me fazer sair do teatro agradecendo à vida por me permitir ser contemporânea de uma artista tão maravilhosa e desta vez eu saí apenas achando que era um show bonito. Quero mais da minha cantora predileta!

  7 comments

  1. Janaína Leslão   •  

    Boa!
    shows não são só pra ouvir boa música…
    tem que ter um “quê” que nos toca para além…

    beijos

  2. Cleicia Teixeira   •  

    Eu sou fã de Bethânia faz muito tempo, fui em alguns shows, mas este definitivamente não me tocou como os outros. Faltou união do repertório e mais ensaio.

    Beijo,
    Cle.

  3. Sandro Fortunato   •  

    Broxei, mas só um pouco. Ainda quero vê-la, coisa que jamais fiz. Ah! As fotos ficaram ÓTIMAS!

  4. Carmem Silvia   •  

    Bom, já disse que concordo, endosso e ainda acrescento: juntar “Saudade” com “É o amor” é indecente!
    Olha só seu blog tá importante. Esse post apareceu num alerta do Google sobre Chico César.

  5. Serenata   •  

    Querida Ana,entendo perfeitamente seu desconttentamento, pra que rimar amor e dor ja dizia arnaldo bastos…mas eu ainda adoraria poder ter ido ao show mil e uma vezes mais…mesmo ela cantando lendo a letra(desde 72), cantando brega songs, e fazendo os alinhavos de notas…pra mim esse show eh o avesso do que eu nao conheco de um rosa dos ventos, eh um outro rebirth de MB, que nao deixa de ser um show Encantado!Te agradeco pelas lindas fotos e seu honesto e belo comentario, gostaria de poder ser assim como vc sem o veuzinho nos olhos e no coracao! bjs e abracos meus pra vc!

  6. pindorama   •  

    Ana, entendo seu desabafo do show. Aqui em Recife também tiveram criticas quanto ao tempo do show, por exemplo que foi curto e poderia ter explorado mais um pouco. Mas no fundo se vc perceber Bethania vem querendo encurtar ou melhor enxugar o roteiro do espetáculo. Quando em ler alguma letra nada contra, eu já acho que ela é uma das poucas basta pensar em Ney, Roberto, Nana, Milton. Ela apenas ler as mais complicadas. Já parou para pensar o que é decorar toda aquelas entidades da jurema? Não seja tão cruel assim. Abraço. Geovamni.

  7. Anonymous   •  

    Ana, não discutirei seu senso crítico ao seu ver, so que eu vejo por outros ângulos. tenho 48 anos e sou seguidora de bethânia a 33, vou a shows diversos delas, ja nem sei mais quantos já fui, inclusive fora do brasil. nós que somos fãs legítimas de bethânia, entendemos que quando ela ler alguma letra de música, nada mais do que um charme a parte, se prestar atenção, ela nem fixa o olhar na folha, ela fecha os olhos, olha para o público e assim se vai. assisti ao show e o achei sensacional, domingo agora proximo que é dia 14/2 irei a gravação do DVD no VIVO RIO. nao vejo que bethânia diminuiu a qualidade de show, de entrega ao público, ela se mantém impecável.fico triste sabendo que isso aconteceu com vc. deixo um abç e nao fique decepcionada com a nossa diva. bjs
    MADAME_X_RJ

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