Barulho & ecologia, com direito a Loop B!

Na semana passada, viajei de Assis a São Paulo num ônibus noturno, que saiu do interior à meia-noite e chegou à capital às 6 da manhã. Suponho sempre que quem viaja nesse horário é porque não tem outra opção senão a dormir a bordo, seja por impedimentos de trabalho ou pressa de chegar.
Era o meu caso: trabalhei o dia todo e tinha de estar em São Paulo no dia seguinte, portanto contava poder dormir durante a viagem, para aguentar as tarefas que me esperavam.
Os primeiros momentos a bordo foram ainda de burburinho, campainhas tocando, crianças chorando e gente conversando em voz alta com o vizinho ou com o interlocutor em seu celular. Normal.
Pouco a pouco, entretanto, tudo foi-se aquietando e eu consegui pegar no sono.
Três da manhã, chega a parada. Eu continuei dormindo, como muitos passageiros que naquele horário preferem o sono a um pão de queijo. Tudo corria bem, até que as pessoas que haviam descido começaram a voltar a bordo e a orquestra do saquinho plástico começou a tocar!
Só mesmo quem está dormindo sabe o quanto o som de saquinhos plásticos sendo abertos, fechados ou amassados pode ser irritante. Imaginem então uma orquestra deles, com pessoas revirando malas para guardar os quitutes que compraram e que vieram embalados em saquinhos plásticos. Ou querendo pegar mais uma blusa na mochila e tendo que antes tirar as sandálias havaianas, devidamente agasalhadas também em sacos plásticos.
Todo mundo já está careca de saber que saquinhos plásticos poderiam ser comparados, do ponto de vista do potencial poluidor, a uma das 10 pragas do Egito (Êxodo, capítulos de 7 a 11), enchendo rios e mares e ameaçando os peixes que lá vivem.
Além disso, eles também servem – mal – como sacos de lixo. Taí outra de minhas implicâncias: odeio ver aqueles saquinhos de supermercado escorrendo caldo do lixo nas calçadas!
Por estas e outras razões, já começa a pegar com força no Brasil um costume que já existe na Europa faz tempo: os clientes levando suas próprias sacolinhas de pano ao supermercado, pra evitar o uso dos vilões deste post.
Em muitos dos países europeus que conheço, se você não levar sua sacolinha, tem de pagar por um saco plástico (de boa qualidade) que ainda vem com a estampa que sugere que ele seja reaproveitado como lixo (e este não fura fácil como os nossos).
Então eu me sinto no direito de propor mais uma razão para banir o uso dos saquinhos: o barulho irritante que eles fazem quando são manipulados. Aliás, tenho uma amiga com quem já dividi quartos de hotel, que diz que uma das provas de elegância de quem se dispõe a compartilhar o espaço de dormir com outros é nunca usar sacos plásticos para embalar qualquer coisa na bagagem! Sábia Neusinha! Pena que você não viaja de ônibus comigo pra ver o que eles podem virar quando manipulados em conjunto!
A única ocasião em que eu achei que sacos plásticos podem ser interessantes foi quando assisti, há alguns anos, a apresentação do grupo paraibano Jaguaribe Carne, com a participação de Loop B, um cara especializado em tirar música de coisas que geralmente odiamos por serem barulhentas. Ele TOCOU um saquinho plástico numa das músicas, fazendo uma percussão inacreditavelmente bonita e original. Ele, aliás, anda agora num projeto com Pedro Osmar (um dos integrantes do Jaguaribe Carne) chamado Farinha Digital, e lá ele também toca coisas inacreditáveis: tanque de gasolina de Chevette, furadeira, placa de trânsito, bujão de gás etc.
Pra quem quiser conferir, no YouTube tem algumas coisas, como esta participação de ambos no programa Em cartaz: http://migre.me/qZZ.
E lá também tem outros filminhos pra quem quiser conhecer o cara capaz de transformar potenciais fontes de barulho em música! É só digitar Loop B na procura e aproveitar os resultados. Infelizmente, não encontrei a cena do saquinho plástico, mas há outras bem legais também.
O MySpace do cara também é legal: http://www.myspace.com/loopb.
E para finalizar, Boa Páscoa a todos, mas não se esqueçam de jogar fora os saquinhos dos ovos de chocolate!!!

  2 comments

  1. Anonymous   •  

    Aê, Ana, legal seu comentário sobre vida em comum, vida pública, música e meio ambiente, com a participação de Loop B e do Jaguaribe Carne como pessoas que, assim como voce, tem preocupações com o estar bem num planeta que tem uma cultura de autoddestruição muito forte e radical. Estamos juntos, viu? A poesia é a nossa única tábua de salvação! Antes arte do que tarde, arte para educar, educar para transformar.

    beijão.

  2. Monica   •  

    Ana, aqui em casa quem gosta de saco plástico é o Pandão.. O rei dos sacos.. aliás, gato não pode escutar barulho de saco que vem correndo. Agora, falando sério, eu fico impressionada com a quantidade de saco que a gente ganha.. e cada um com uma qualidade suspeita.. Há os que rasgam com facilidade, os de supermercados, e pra compensar eles colocam dois , para “Garantir” que vai aguentar. É a contribuição para poluição, pois qdo chove, o que se vê no mar de sacos é uma coisa assustadora. Qto aos sacos servirem para embalar sapatos e coisas afins, conheço uma pessoa , de São Paulo, que pensando nisso, desenvolveu um kit viagem , lindo, de TNT. Tem sacos para tudo, calcinhas, sapatos, etc.. É uma bela contribuição para a despoluição auditiva e ambiental, além de arrumar a mala. (esses sacos não rasgam e podem ser lavados ) Minha contribuição está dada. Boa Páscoa… Beijos

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