Casa 18: Assis (República)

Cruzar de volta o rio Paranapanema e voltar para o estado de São Paulo foi um processo longo e difícil. Eu estava gostando de morar em Londrina, uma cidade grande mas tranquila. Nos primeiros meses, portanto, fiquei “em trânsito”, mantendo a casa do Paraná e morando provisoriamente em Assis.

Na verdade, passei um ano e meio nesse vai e vem. No início, hospedei-me na casa de uma amiga que era minha colega de departamento, enquanto esperava pela vaga numa república de professores que eu tinha conhecido por lá.

No início de 1992, transferi minhas poucas coisas para a casa coletiva da rua Rangel Pestana, em Assis.

Lá viviam dois professores e uma professora. Para mim, sobrava um quarto úmido que ficava nos fundos da casa. Tinha ali meu colchão (no chão), umas roupas, uns livros. E passava a maior parte do dia no departamento, trabalhando. Nos fins de semana, ia para Londrina, para a minha casa titular.

Aos poucos, me dei conta de que aquele trânsito interestadual semanal, embora de apenas 130 quilômetros de um extremo ao outro, acabava dificultando minha vida e, principalmente, a redação da minha tese de doutorado, que andava numa paradeira só.

No início de 1993, portanto, comecei a me preparar para morar definitivamente em Assis. Mas havia, além da dificuldade costumeira de alugar um imóvel, um outro elemento complicador.

Para explicar a encrenca, preciso contar um detalhe importante que até agora não me lembrei de falar: desde os tempos do meu quartinho em Campinas, eu tinha começado a ter muito medo de morar em casas, principalmente sozinha. Até então, esse probleminha tinha sido facilmente contornado, morando em cidades grandes. Mas Assis, como boa cidade pequena do interior, tinha pouquíssimos prédios de apartamentos. Os poucos que havia tinham apartamentos grandes e caros, pois, naquele contexto, morar em apartamento coisa de gente rica.

Como resolver?

Assunto para o próximo post…

 paranapanemacrop

(Rio Paranapanema visto da janela do carro: meses em trânsito)

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