Casa 22: Santos (a casa definitiva)

Desde a primeira vez que vi o mar, quando eu já estava quase entrando na adolescência, tive o sonho de morar perto dele.  Talvez tenha sido por isso que o quadro “Rooms by the sea”, do Edward Hopper, tenha sempre me impressionado tanto.

Essa vontade me levou a prometer a mim mesma que, quando me aposentasse, iria morar junto do mar. Mas nunca sonhei com uma casinha numa aldeia de pescadores, meu imaginário sempre foi mais urbano: queria um apartamento numa grande cidade, junto do mar e, de preferência, perto de São Paulo. Assim, Santos foi praticamente uma escolha inevitável.

Ao contrário de muita gente, eu só conheci Santos depois de adulta. Minhas férias na praia, quando criança, dividiam-se entre Peruíbe e Iguape. Meu pai não gostava de cidades grandes. Uma vez, logo que comprou seu primeiro carro, ele tentou nos levar a Santos, mas desistiu ao chegar em São Paulo. Frustração!

Por causa dessa ausência de vínculos familiares ou históricos com a cidade, muita gente estranha que eu tenha escolhido morar em Santos. Mas foi uma decisão bastante pensada e, posso dizer agora, feliz! Vou contar então como tudo aconteceu

Em 2011, eu tive alguns problemas de saúde e, por causa deles, passei por algumas situações difíceis com hospitais e médicos em Assis. Eu já andava bem cansada de morar lá, porque Assis é uma cidade árida, e eu andava ansiosa por um lugar com mais água por perto. Isso me levou a antecipar minha mudança para Santos, antes mesmo de me aposentar.

Coloquei à venda meu apartamento em Assis e então Carmem e eu começamos a procurar um apartamento para comprar na praia. Já na primeira tentativa, encantei-me com um prédio na Ponta da Praia, construído pelo Artacho Jurado. Era o Edifício Enseada, mas eu achava que ele não  teria um apartamento pequeno como eu queria e meu bolso permitia. Passamos muitas vezes por ele e eu suspirava…

Um belo dia, já quase no final do ano, descobrimos que não só havia apartamentos pequenos como um deles estava à venda! O preço era mais alto do que eu esperava, mas não fora de alcance, e assim tudo se resolveu. Em dezembro daquele ano já estava morando no apartamento em que espero passar os dias que me restam.

Tenho muitas fotos do prédio, da vista cinematográfica que temos da janela e da varanda, mas escolhi colocar aqui a mais representativa para mim, tirada ainda quando viemos ver o apartamento, antes de comprá-lo. Foi vendo essa foto que eu descobri que iria morar dentro do quadro que eu amava:

hopperenseada

 

 

  13 comments

  1. Paula Brum   •  

    Sou uma amante de biografias declarada, desde sempre. Não tinha como deixar de acompanhar a série, deliciosa, de uma vida em pequenos capítulos. A quantidade de casas e os lugares onde vivemos diz muito de nós, de nossos hábitos, de nossos desapegos…. Curti muito e não poderia ter fechado melhor do que com Artacho e uma linda janela. Foi bom, Ana!! BjO!

    • psiulandia   •     Author

      Obrigada, Paula! Agora falta vocês irem lá conhecer ao vivo! 🙂

  2. Sheila   •  

    Ana, venho acompanhando a sua série desde o início e a encerro agora emocionada. Dada a natureza subjetiva deste espaço, não me furto de comentar que há acolhedoras semelhanças entre a minha caminhada e seu percurso aqui registrado. A itinerância, as numerosas moradas e as escolhas afetivas para o que se deseja como lar estão entre elas. Sou sua leitora e deixo aqui o meu sincero desejo de que os muitos anos vindouros sejam tão ou mais aconchegantes para ti e Carmem dentro deste belo quadro quanto tem sido acompanhar de longe esta bela história. Um abraço!

  3. helo   •  

    Ana, nem acredito que chegou ao fim! E que incrível essa foto, fiquei arrepiada (juro!). Quero muito te visitar, eu amo Santos (apesar de como vc tbem nao ter nenhum vínculo familiar com a cidade), acho que conversamos disso quando a gente se conheceu.

    Beijo, Helo

    • psiulandia   •     Author

      Ah, que bom que você gostou, Helô! Tamos esperando você e o Martin pra um Pimm’s na varanda!

  4. marcos   •  

    Ola Ana!
    Cheguei da Alemanha em Sao Paulo na terca feira. Amanha,sexta, irei para Santos passar o día e terei um encontro con a Sra Graca do Enseada. Vamos ver se eu chego mais perro do sonho… Quem sabe nos vemos. Abracos. Marcos

  5. Roberta de Felippe   •  

    Nasci em Santos e morei até os 14 anos nessa baixada tão gostosa, agora, depois de tantos outros anos vivendo em São Paulo, estou vendendo minha casa aqui e pensando em voltar para Santos. Mulher, seu post fó fez aumentar essa vontade, adorei ter conhecido seu blog e de cara lido esse texto maravilhoso. Um grande beijo e felicidades na casa nova. 🙂

    • psiulandia   •     Author

      Opa, obrigada pela visita! E volte sempre! Fico torcendo pra você vir morar em Santos também! 🙂

  6. Lorena Brito   •  

    Ana! Descobri vc agora. Temos tantas coisas em comum. Vc é genial e tem um bom gosto imenso: Bethania, literatura, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Edward Hopper, Santos!!! Impressionante! Estou achando que vc sou eu! Ah! Carmen – a de Bizet – é a minha preferida. Estou tão feliz por encontrar vc hoje. Um abraço.

    • psiulandia   •     Author

      Que bom que o blog pôde proporcionar nosso encontro, então, com tantas afinidades! Fico feliz, porque no fundo essa é a razão de ele existir! Volte sempre! Abração!

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