Casa 6: Itapetininga (parte 1)

Moramos na casa de Itapetininga num período inesquecível da minha vida. Foi ali que adolesci, fiz mais amigos, comecei a estudar inglês e a aprender a tocar violão. Foi a partir de lá, também, que fiz minha primeira viagem para conhecer o mar. Foram tantas coisas importantes que acho serão necessárias duas postagens pra dar conta de tudo! Vamos então à primeira parte.

Nossa casa ficava numa rua movimentada, ao lado de uma travessa onde quase não passavam carros. Aquela travessa era uma extensão do nosso quintal. Ao lado, ficava o prédio na UCBEU (União Cultural Brasil-EstadosUnidos), onde estudei inglês. Havia ali uma biblioteca / discoteca que eu frequentava assiduamente. Foi lá que achei o LP importado de Janis Joplin, “Cheap thrills”: viajei muito nos desenhos de Robert Crumb para a capa e enlouqueci com aquela voz rouca cantando “Maybe”.

Em Itapetininga tive vontade de ser hippie. Foi lá que consegui minha primeira calça jeans, uma Lee importada, que usei até ficar quase branca, com a barra desfeita em franjas. Tinha um colar feito por mim com o símbolo de paz e amor. Dentro do melhor espírito “flower power”, cuidava das flores do jardim que havia na frente da casa, com capitães e uma roseira amarela.

No meu quarto, tinha uma parede coberta de recortes de revista e pôsteres dos meus ídolos: Peter Fonda naquela Harley de “Easy rider” e os Beatles no uniforme da capa de “Sargent Pepper’s”.

Eu tinha um rádio de pilha azul claro, onde eu ouvia a Rádio Mundial do Rio de Janeiro. Às 6 da tarde tinha o programa “Beatlemania”, apresentado pelo Big Boy. Ele também apresentava o “Som de boate” à meia-noite, mas nem sempre eu conseguia ficar acordada pra ouvir.

Num de meus aniversários, ganhei um violão Giannini, que tenho até hoje. Foi com ele que comecei a ter aulas, primeiro com uma professora chamada Norminha e mais tarde com outra chamada Lúcia.

Foi em Itapetininga que recebi autorização de meus pais para andar de bicicleta na rua, mas só ali no nosso beco. Foram muitos tombos e joelhos ralados, mas eu adorava andar pra lá e pra cá com a minha Monareta naquele quarteirão em que morávamos. É ela que aparece aí na foto abaixo, numa pose que fizemos no quintal da nossa casa, com duas de nossas vizinhas.

 

itapetininga

 

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