Casa 6: Itapetininga (parte 2)

Continuando minhas lembranças de Itapetininga, preciso dizer que nessa cidade existe até hoje uma praça repleta de figueiras e que considero das mais bonitas do Brasil. Nela ficam 3 escolas, e eu estudei em duas delas: Coronel Fernando Prestes e Instituto de Educação Estadual Peixoto Gomide.  Nesta última, cursei uma modalidade educacional nova chamada ginásio pluricurricular. Uma das novidades era que tínhamos aulas de artes industriais e depois de economia doméstica. Na primeira, usávamos um guarda-pó azul mesclado, com as letras GP no bolso (eu estava vestida com ele quando menstruei pela primeira vez, pouco antes dos 12 anos). Eram aulas diferentes, em que aprendi a fazer encadernações, plastificar objetos, trocar tomadas, usar algumas ferramentas… Era divertido!

Na primeira parte, contei que foi nessa época que conheci o mar – éramos crianças do interior mesmo. Foi assim: meu pai, graças a um animado colega de trabalho que conheceu em Itapetininga, finalmente criou coragem de nos levar de férias para a praia. Na primeira vez, fomos para Iguape, de carro, pelas estradas malucas que esse amigo do meu pai descobria, cortando caminho pela Serra da Macaca, sem asfalto e completamente deserta. Quando chegamos, fiquei muito decepcionada ao saber que ali ainda não era a praia. Só no dia seguinte é que tomamos a balsa para atravessar para a Ilha Comprida. Para a minha ansiedade, foi um longo caminho, cheio de subidas e descidas, em que o mar aparecia à distância, quando estávamos no alto, para em seguida desaparecer, quando estávamos nos declives. Quando finalmente pus os pés naquela água salgada, foi amor à primeira experiência.

Mais tarde deixamos Iguape de lado e passamos a viajar para Peruíbe, que se tornou nosso destino mais frequente no litoral. Ficávamos todos hospedados em casas alugadas para temporada, às vezes melhores, às vezes horríveis. Mas nada tinha importância, quando eu tinha a oportunidade de estar junto ao mar.

Mas não posso terminar de escrever essas lembranças de Itapetininga sem falar de uma figura marcante da nossa vida ali: Dona Nair. Ela era nossa vizinha, e logo se tornou muito próxima de nossa família. Era uma pessoa simples e muito leal no afeto que tinha por nós. Eu ia muito à sua casa, e adorava ficar com ela cuidando do jardim, um pequeno quadrado de terra onde ela plantava flores e verduras. Ainda me lembro das horas que passei ali, procurando com ela as lagartas e seus ovinhos nas folhas de couve. Às vezes eu levava as lagartas para casa e cuidava delas em caixinhas de catupiry até que virassem borboletas.

Dona Nair continuou sendo próxima mesmo depois de nos mudarmos de Itapetininga. Ela morreu no início de 2013. Estive com ela pela última vez em 2007, nessa foto que vai abaixo. A foto que abre o post é de uma das rosas de seu eclético jardim.

 

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  4 comments

  1. Paula Brum   •  

    Adoro histórias de encontros com o mar. Eu o conheci ainda bem pequena, com três anos, mas é uma das lembranças mais vivas que tenho – e olha que odiei, imagina se tivesse amado. Hoje é minha grande paixão, mais um amor construído na minha vida! Estou amando a série, tinha perdido esse capítulo. Linda rosa! BjO!

    • psiulandia   •     Author

      Obrigada, Paula! E você ainda precisa ver o mar lá da varanda!

  2. Mônica Chirosa   •  

    Olá, Ana Maria…
    Adorei saber q vc morou aki, na minha cidade. Eu nasci aki e fui criada em sampa… depois de viúva, em 1993, voltei pra cá, e aki estou…
    Muito legal a história… tvale registrar que minha apresentação ao mar foi única.
    Chegamos ao Guarujá à noite, já bem tarde, então estava bem escuro, a praia não era iluminada nesta época.
    Só passamos com o carro na maré e eu só conseguia enxergar as ondinhas brancas….
    No dia seguinte, qdo acordei dentro da barraca, me lembro de abrir a porta e colocar só a cabeça para fora, pra matar a minha curiosidade. Fiquei fascinada, mesmo à distância…
    Rapidamente coloquei meu biquini e lá fui eu, me encontrar com o gigante…
    Qdo minha mãe acordou, ficou assustada porque não me viu na barraca, mas qdo saiu, logo me avistou dentro da água, nadando como um peixe… passava o dia todo dentro da água e até para almoçar tinham q me tirar à força…
    Ai nunca mais parei de ir à praia… pelo menos uma vez por ano vou renovar as energias…
    Agora só espero a minha aposentadoria (q deve chegar logo) para ir de vez pro litoral…

    Adorei sua história…

    vamos nos falando…
    Abço

    • psiulandia   •     Author

      Pois é, Mônica, eu me aposento neste ano! Mas já vim morar na praia, antes mesmo de oficializar tudo! Abraço!

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