Cecília e eu – parte 8

Ainda durante o doutorado, prestei o concurso para trabalhar na Unesp, em Assis, e passei. Lá começava uma nova fase na minha vida.
Logo nos primeiros anos, comecei a orientar trabalhos de Iniciação Científica. E quem adivinha o tema das pesquisas? Bom, na verdade eram temas variados, mas sempre havia alguns alunos pesquisando Cecília sob minha orientação.
Uma das primeiras ideias que tive foi reativar o levantamento de textos sobre Cecília, como numa continuidade daquele trabalho do mestrado. Durante muitos anos, tive alunos coletando o que se escrevia sobre ela: Jane, Luciana, Jacicarla, Vinicius, Fabiano.
Ao final das etapas das pesquisas, os documentos eram também enviados para Campinas. Os resultados foram gradualmente sendo colocados numa página na internet, muito simples, feita com a boa vontade dos alunos. Pode ser vista aqui.
Mais tarde, depois de ter obtido o doutorado, comecei a orientar também trabalhos de mestrado e doutorado, principalmente sobre Cecília.
E assim, de trabalho em trabalho, chegamos a um ano muito significativo para os que amam Cecília: 2001, o ano do centenário de nascimento da escritora.
Nessa altura, eu havia perdido um pouco o contato com Maria Mathilde e sua filha Fernanda. Foram as atividades de comemoração do centenário que nos reaproximaram.
Participei de dois congressos, um em São Paulo, na USP, organizado pela Leila Gouvêa, e outro em Porto Alegre, na UFRGS, onde trabalhava a minha xará ceciliana, Ana Maria Lisboa de Mello, que eu tinha conhecido ainda nos tempos do mestrado. Aliás, cabe um pequeno flashback: Ana e eu nos conhecemos por carta, já que nossas orientadoras eram amigas e sabiam que ambas éramos cecilianas. Foram mais de dez anos de correspondência, antes de nos conhecermos pessoalmente.
Nesse congresso de São Paulo finalmente pude rever Maria Mathilde. Não sabia era que aquela seria a última vez que nos veríamos. Ela morreria em 2007, sem que tivéssemos outra oportunidade de voltar a conversar. Naquele dia, em 2001, tivemos um encontro muito feliz, como se pode ver pelas nossas caras alegres:

Foi também nessa ocasião que me tornei mais próxima de Fernanda, uma das filhas de Mathilde, até hoje uma amiga querida.
Naquele ano também pude ver pela primeira vez o primeiro livro de Cecília, Espectros, publicado em 1919 e renegado por ela. Foi só nesse ano que encontraram um exemplar e fizeram finalmente uma reedição!
E por fim, foi também em 2001 que publiquei meu livro sobre Cecília Meireles, em que reunia o levantamento da fortuna crítica que tinha feito no mestrado, acrescentando a ele o complemento que minhas orientandas Jane e Luciana tinham feito:

É um livro difícil, que interessa só a quem pesquisa a obra de Cecília, mas fico feliz por ter podido publicá-lo. Foi o fechamento de mais um ciclo. E assim terminou um ano de festas para os cecilianos!

  6 comments

  1. Lourdes Casquete   •  

    Uma delícia de leitura.Nada de pressa para
    terminar os relatos, são preciosos.

  2. Claudio (Curitiba)   •  

    Olá, Scherazade. Não tenha pressa….
    Beijos

  3. cassiairis   •  

    Ana, sua linda, li tudo em dois folegos,no inicio fiquei com preguica de ler, mas quando comecei nao consegui parar… muito gostoso de ler, e tenho uma sugestao, quando terminar a Saga de Cecilia, faca uma de Joao Antonio? Beijao e aguardo o nono ansiosa 😉

  4. Ana   •  

    Obrigada, queridos! Cássia, acho que João Antônio vai ficar de fora dessa… 😉

  5. Monica   •  

    Como não amar o que vc escreve?

  6. Monica   •  

    Como não amar o que vc escreve?

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