De Campinas a Bruxelas a Assis

(este post é dedicado ao meu amigo do Twitter, @perfunctorio)

Logo que eu comecei o mestrado na Unicamp, tinha reuniões periódicas com a minha orientadora, Maria Lúcia. Na sala dela havia um quadro que sempre me intrigou. Era este:

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Um dia, não resisti e perguntei que quadro era aquele. Ela me disse que era de Paul Delvaux, um pintor belga, ligado ao surrealismo. Fiquei com aquele nome na minha cabeça.

Quis o destino que, muitos anos depois, minha primeira viagem à Europa tivesse como destino Bruxelas. Eu iria participar de um congresso sobre Lusofonia, em 1998. Lá fui eu, e fui com aquele nome na cabeça. No Museu Real de Belas Artes, não sosseguei enquanto não encontrei o setor em que estavam os quadros desse pintor. E lá estava ele, “La voix publique”, ao vivo! Numa outra viagem tirei uma foto com ele, que por azar não ficou boa. Mas aqui está:

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Comprei um postal com o quadro, um livro sobre o pintor e sosseguei.

Anos mais tarde, já trabalhando na Unesp, em Assis, conheci um artista naïf local, chamado Sebastião Theodoro Paulino da Silva, conhecido como Ranchinho.  Para quem se interessar por ele, o Itaú Cultural tem um verbete aqui. Vale ler, pois a história dele é muito curiosa.

Poucos meses antes da morte do Ranchinho, a Unesp fez uma exposição de quadros dele, todos à venda. Eu me interessei, fui até lá e dei de cara com um quadro que me atraiu. Ele tinha de ser meu, mas descobri que já estava vendido. Fui pesquisar quem era o comprador, e era um colega do meu departamento. Fiquei triste, escolhi outro, comprei.

Ao chegar ao departamento, encontrei esse meu colega, contei a história. Ele me perguntou qual eu tinha comprado, eu falei e ele nada disse. Fui trabalhar e mais tarde, para minha surpresa e alegria, ele me propôs que trocássemos os quadros! Assim foi que me tornei dona dessa tela:

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O título é “O trem chegando à noite”. Só depois de tê-lo comprado foi que me dei conta das semelhanças entre ele e o quadro de Delvaux: em ambos, uma cena noturna, um trem chegando ao longe. Três laços roxos no Delvaux, três luzes vermelhas no Ranchinho. Não é impressionante?

São engraçadas as voltas que o mundo dá.

  2 comments

  1. Marcos   •  

    …e que voltas o mundo dá !
    Coincidencia: descobri voce e seu blog numa das minhas viagens a Bruxelas. Seguramente na proxia ida, tentarei visitar o museu e apreciar mais conscientemente a pintura de Delvaux.

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