Educação & barbárie.

Há algum tempo, publiquei aqui mesmo neste blog, um post sobre como a presença de uma faculdade nas proximidades do terminal Barra Funda estava transformando negativamente o local, com a proliferação de bares, excesso de carros, superlotação do Terminal etc. Naquele texto, eu dizia que, segundo meu ponto de vista, não era à toa que os empresários da educação superior em São Paulo procuravam montar seus câmpus na proximidade de estações de metrô, para facilitar o acesso dos alunos às salas de aula, mas sem nenhum planejamento, gerando apenas uma superlotação nos transportes daquela região. O transporte público a serviço do lucro privado, sem nenhuma espécie de contrapartida dos empresários para melhorar o entorno de seus câmpus.
Pois bem, quando estou em São Paulo, moro bem ao lado de uma estação de metrô, a Paraíso. Acompanhei, pela janela do apartamento, a construção de dois enormes prédios de uma dessas faculdades particulares. Dá pra ver daqui as salas de aula em funcionamento, agora que tudo já está pronto.
Mas o mais grave é que dá pra ver também a deterioração da vizinhança, desde a chegada da faculdade, sendo o sinal mais evidente o aumento do número de bares ao redor dos prédios. Estabelecimentos comerciais fecharam, foram reformados e transformados em bares. À noite, sobretudo depois das 9, ficam cheios de alunos. Como os espaços são pequenos, fica muita gente em pé, na rua (também pra poder fumar).
As salas de aula vão ficando vazias, enquanto a rua enche de gente com copo de cerveja na mão. É raro ver alguma turma com aulas depois das 9h30. As 3 faixas de trânsito da Vergueiro se reduzem a uma, pois as demais ficam cheias de alunos bebendo, expondo-se a um atropelamento.
Alguns bares têm música ao vivo, que é ouvida na vizinhança toda, até a uma da manhã, religiosamente. Só param mesmo por medo do Psiu.
Às sextas é pior: as comemorações pela chegada do fim de semana estendem-se até mais tarde e sempre aparecem aqueles carros que têm altofalantes poderosos, tocando música sempre ruim. Como são móveis, não ficam sujeitos à fiscalização do Psiu, então não têm hora pra parar de fazer barulho.
Nunca aparece ninguém pra botar um pouco de ordem na confusão. Acho que só mesmo no dia em que algum aluno for atropelado numa dessas faixas de trânsito ocupadas pelos estudantes. Enquanto isso não acontecer, resta a alternativa de dormir com tampões nas orelhas toda sexta-feira. A quem recorrer?
No mundo que eu imagino, a chegada de uma faculdade à vizinhança seria motivo de alegria. No mundo em que eu vivo, junto com a educação chega a barbárie.

  4 comments

  1. Marcie   •  

    Muito triste. Barulho pra dormir é o fim da picada!

  2. Anonymous   •  

    Querida Ana, você é a minha rabugenta escritora preferida !!!rs

    Saudades imensas de você 🙂

    Patrícia

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