O público a serviço do privado!

Eu trabalho no interior de São Paulo e venho com muita frequência para a capital. Como sempre vou e volto de ônibus, para os meus deslocamentos, já há muito tempo uso o Terminal Rodoviário Barra Funda.
Nos últimos anos, porém, uma universidade privada que funciona ali perto tem trazido o caos para as noites do Terminal. São dezenas de barracas de lanche nas calçadas, um comércio variadíssimo na praça em frente (tem inclusive serviço de xerox), carros estacionados em todos os lugares possíveis e imagináveis etc.
É uma confusão! Nas noites de sexta, então, a coisa piora: parece que ninguém assiste às aulas, vão todos para os botecos improvisados nas calçadas, que muitas vezes têm até música ao vivo!
Para mim, entretanto, o mais impressionante é ver, nos horários de entrada e saída das aulas, o desfile de centenas de pessoas pela rampa de acesso ao Terminal. É uma imagem inesquecível, parece uma serpente gigante com muitas cabeças e pés passando pela travessia de pedestres. Fica quase impossível andar em sentido contrário ao da correnteza de gente.
Filas pra comprar bilhete de metrô e trem, filas para passar nas catracas, enfim, gente e mais gente que não acaba nunca.
Além disso, tem sempre aqueles que não se dispõem a usar a passagem de pedestres – até pela dificuldade de andar no meio da multidão – e atravessam pela rua mesmo, pulando o guard rail que separa as faixas e correndo entre carros, motos, ônibus. Algum dia certamente alguém será atropelado, se é que já não foi.
A partir da convivência com essa situação, comecei a observar melhor a localização das faculdades privadas e percebi que há uma preferência por locais próximos a estações do metrô, já que assim os alunos podem chegar e sair utilizando uma forma de transporte mais fácil.
Basta observar: só no trecho entre as estações Paraíso e Liberdade, temos 3 enormes câmpus. Isso sem contar com as pequenas instituições que aparecem em cada esquina!
Tudo muito fácil para os alunos e donos das escolas, não é?
Essa conveniência, entretanto, tem um preço: a superlotação das estações e trens num nível insuportável! É como se o serviço de transporte público acabasse monopolizado por uma empresa privada, que faz uso dele sem nenhuma precaução e sem oferecer nenhum retorno à sociedade. Ao contrário, no entorno dessas instituições há uma evidente proliferação de bares improvisados, de alunos ocupando as calçadas para beber, conversar e fumar, muitas vezes ocupando até mesmo algumas faixas da rua, colocando sua própria segurança em risco e ainda criando problemas para o trânsito.
Até quando o Estado vai continuar fornecendo facilidades para aumentar o lucro dos donos das faculdades privadas? Já está mais do que na hora de vermos esses empresários da educação darem um retorno à sociedade, contribuindo para melhorar e não piorar a vida das pessoas que circulam em torno de seus estabelecimentos!

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