O som e a fúria do comércio

Eu confesso que às vezes tenho um pouco de saudade do vendedor das pamonhas de Piracicaba… Mas acho que até ele, se soubesse o que viraria essa sua idéia, teria desistido de incorporar um alto-falante ao carro e sair pelas ruas fazendo propaganda do puro creme do milho verde!
Eu moro numa cidade do interior de São Paulo, e lá tem trio elétrico, carro de som, moto e até bicicleta com alto-falante! Bicicleta, alguém acredita? Isso mesmo, aquela magrela com uma caixa de som acoplada ao banco do garupa, anunciando pelas ruas alguma liquidação de alguma loja local. Aliás, nessa cidade onde moro tinha até mesmo uma loja de tecidos chamada “Ao barulho”! Parece que o dono se orgulhava da poluição sonora que gerava na cidade com os carros de propaganda… Fechou, parece, o que prova que às vezes minhas pragas pegam…
Tenho visto também, em muitas cidades (naquela onde moro, inclusive), lojas que colocam um alto-falante com amplificador na porta, creio que na esperança de com isso angariar mais fregueses. Não sei se funciona, mas de uma coisa estou certa: jamais entrei ou entrarei numa loja dessas, nem que eles vendam a última coca-cola gelada no deserto!
Estive certa vez em Santarém, e ali vivi a experiência mais enlouquecedora com carros de som: eram tantos, anunciando tantas coisas ao mesmo tempo, que não se distinguia o anúncio de cada um deles… Uma completa Babel de sons embaralhados, mas ninguém desistia de fazer sua propaganda.
Anúncios com alto-falantes em carros de som, a meu ver, ferem meu direito de não querer ouvir aquela propaganda. Na TV, no rádio, na internet, sempre é possível fugir dos comerciais. Se um trio elétrico passa na minha porta anunciando as ofertas do supermercado, não tem como não ouvir. É um completo desrespeito!
Fico também pensando nas pessoas que trabalham em horários diferentes do comercial, como guardas noturnos ou profissionais da saúde que têm plantão noturno, por exemplo. Já imaginaram? Quando começam a dormir, chegam os carros, motos e bicicletas de som! É de enlouquecer qualquer um!
E os doentes, que passaram a noite em claro, com dores, e finalmente conseguiram dormir… E os bebês, que choraram a noite toda e enfim deram uma trégua aos pais… Todo mundo acordado de novo, porque os preços estão supostamente caindo no comércio local.
Para piorar, no caso dos carros, trios elétricos e motos, ainda tem a questão do combustível que ficam queimando inutilmente pela cidade, além de ajudarem a complicar o trânsito das ruas, pois precisam sempre andar mais devagar, para dar tempo de mais gente ouvir a mensagem completa! Horror!
Já que parece que não será nesta minha vida que verei uma legislação que dê conta desses pesadelos ambulantes, faço minha parte: sempre tento boicotar estabelecimentos que usam esse tipo de anúncio. Para mim, sempre funciona como propaganda às avessas.

  3 comments

  1. Leilinha   •  

    Minha amiga, eu concordo em gênero número e grau com todos os posts. Só discordo do cara da pamonha… a não ser que em Piracicaba a voz do moço fosse razoavel, porque aqui a pamonha é berrada no alto falante. rs
    Haja tampão de ouvido!
    Bjs

  2. Márcia   •  

    Puxa! Santarém também, é? (Rimou).
    Um dos ápices desse pesadelo é quando estamos falando ao telefone…Geralmente, é preciso esperar que eles passem pra continuar a conversa. Enfim, eles também são responsáveis pelos segundos ou minutos mais caros na conta telefônica (ahahah!)

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