Passado e futuro

A revista Carta Capital do dia 14 de janeiro de 2009 tem uma matéria muito interessante, de Rosane Pavam, intitulada “Sons da solidão”. Neste link dá pra ler um pedaço do texto:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=3102
Em suma, a matéria traça um interessante histórico de como a cidade de São Paulo pré-industrialização era muito mais silenciosa. O texto de Rosane Pavam fundamenta-se no livro Kaleidosfone, de Nelson Aprobato Filho e afirma: “O barulho cresce desde a belle époque porque os paulistanos estão ausentes da vida comunitária e da experiência do sublime”.
Além de bem escrito e interessante, o artigo traz ainda ilustrações antigas de São Paulo, muito curiosas e bonitas.
Lendo o texto, achei até um trecho que me fez lembrar o post “Ouvido não tem pálpebra”, que coloquei aqui logo no início do blog. Vejam se não é mesmo parecido:
“Em São Paulo, tudo se ouvia também porque a audição, diz o filósofo Murray Schafer no livro O ouvido pensante, é um sentido muito diferente do visual. Não podemos selecionar os sons que partem de todas as direções, nem mesmo tampando os ouvidos. Por outro lado, se não quisermos ver, quem nos impedirá de resolver a questão cobrindo os olhos com as mãos? “
Confesso que fiquei curiosa pra ler o livro!
Há um outro trecho interessante do artigo: “Para Aprobato, viver na cidade é isolar-se do progressivo caos sonoro para encontrar pontos de silêncio, ecos de sonoridades sublimes”. Puxa, está cada vez mais difícil conseguir isso!
Mas, em resumo, gostei de saber que tem mais gente preocupada com essa questão do “progressivo caos sonoro” em que vivemos! E quem gostou da amostra, corra pras bancas porque ainda dá tempo de comprar a revista e curtir o texto completo!

  2 comments

  1. arteirosdarua   •  

    Adorei!Estão ótimos os textos.
    Só pra polemizar com Schafer: se eu fizer meditação zen-budista, será que os ouvidos não se fecham?
    assinado: nascida em beira de cachoeira.
    beijo grande.

  2. Anonymous   •  

    Ana de A,
    você não está só: me vi nas entrelinhas. Então a velhinha da Brastemp que acorda em mim, de vez em quando, não é uma alucinação. Aparece sempre diante desses ‘non sense’ coletivos que, ironicamente, são cometidos em nome da individualidade, entendida aqui como “eu não me importo com você” e do seu oposto, tipo ‘casas Bahia’, que conjugam importunar como sinônimo de promover.
    Vou até comprar um guarda chuva novo, ou não me chamo…., não me chamo…

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