Rabugice, aqui me tens de regresso

A tradição diz que o rei Luís XV da França teria dito a frase “Après moi, le déluge”, que significa “Depois de mim, o dilúvio”. Ainda que não seja verdadeira, a frase resume bem o modo de vida perdulário e extravagante da corte de seu tempo.

Essa citação, que passou à história como um exemplo radical de desprezo pelos outros, pode se aplicar a inúmeras situações que acontecem hoje em dia, mas quero me fixar num exemplo muito pequeno: os banheiros públicos.

Muitas vezes tenho a impressão, ao entrar num desses espaços, que Luís XV acabou de passar por ali, tal a situação em que o local se encontra. Sempre me lembro da frase e quase vejo os modernos luíses – ou melhor, as modernas luísas, já que uso os banheiros femininos – passando por ali e deixando seus pequenos dilúvios de urina.

Para usar outro exemplo de frase de autoria duvidosa, não sei onde li, certa vez, que o diretor Alfred Hitchcock se orgulhava de sempre deixar o banheiro mais limpo depois de usá-lo. Apesar de a associação Hitchcock & banheiro geralmente levar a outra imagem (a inesquecível cena do chuveiro em “Psicose”), gosto de pensar que meu diretor de cinema preferido tenha dito mesmo essas palavras e sempre tento colocar em prática essa ideia.

Na verdade, acabo sempre precisando fazer uma mini-faxina nos banheiros que uso, por causa do estado lastimável em que ele geralmente se encontra quando chego ali. Com isso, é sempre garantido que o banheiro estará mais limpo depois que eu passar por ali!

Ainda sobre o mesmo tema, e para encerrar essa conversa, gosto também bastante daquele aviso dos banheiros de avião:

aviso-no-banheiro-do-aviaoed

Penso que por trás desse aviso – assim como por trás da suposta frase de Hitchcock – está a ideia de que é preciso ter consideração por quem vai usar o banheiro depois de nós, ou seja, consideração pelas outras pessoas, justamente o que Luís XV parecia não ter.

Sempre que entro em um banheiro público, me pergunto se quem esteve ali antes de mim foi Luís XV ou Hitchcock. Para minha decepção, quase sempre a realeza ganha…

 

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