Silêncio made in Japan

Este é o primeiro guest post da Psiulândia, e foi escrito por minha amiga Marcie (@Marcie14), autora do ótimo Abrindo o bico. Ela esteve recentemente em Tóquio e de lá mandou uma série de tweets com a hashtag #tokyorules. Como em muitos deles ela comentava a diferença entre os ruídos urbanos de Tóquio e os de Nova Iorque ou São Paulo, achei que seria o caso de pedir a ela um depoimento mais extenso sobre essas impressões. Para minha surpresa, ela não só aceitou como hoje mesmo, bem cedinho, me mandou o texto que segue. Obrigada, Marcie, rabugenta honorária da Psiulândia! Fico honrada com a sua participação por aqui. Sinta-se à vontade para outras participações!

 

Imagine uma metrópole onde o Psiulândia não precisaria distribuir tantos psius. Uma cidade onde, na verdade, a Ana teria que inventar outro assunto para blogar. Por tudo que vi (embora infelizmente tenha visto pouco) Tóquio se encaixa perfeitamente nessa categoria.  No começo, eu não estava entendendo do que sentia falta. Até que me dei conta: não tinha escutado uma buzina sequer! Não tinha ouvido um escasso ringtone; e menos ainda um desses abomináveis Nextel. E o mais engraçado é que estava vendo várias pessoas falando ao telefone. A conclusão óbvia é que eu havia desembarcado num país que ainda cultiva essa coisa rara chamado silêncio.
Claro que já tinha lido um pouco sobre os usos e costumes locais: a lição de casa que todo mundo faz (ou deveria fazer) antes de viajar. E já sabia das regras básicas de etiqueta relativas ao tema: não falar alto, manter os celulares no mode silencioso, não usar o aparelho em lugares fechados (restaurantes, trens, metrôs), etc, etc. Mas não imaginei que a coisa fosse levada tão a sério. A ponto de eu poder afirmar que, no Japão, ouvir conversa alheia é um passatempo destinado ao fracasso.
Sei que é engraçado eu estar aqui falando não do que vi, mas sim do que não ouvi em Tóquio. Mas a idéia é essa, certo? Não ouvi os desagradáveis ruídos que se somam aos ruídos inevitáveis das grandes cidades. Claro que há sirenes; claro que há metrôs e trens se deslocando em alta velocidade; claro que há caminhões; claro que há construções (afinal, Tóquio não é exatamente um vilarejo Amish), mas é como se, justamente por causa disso, a cidade decidisse não acrescentar ruído ao ruído. Ah, sim, posando de exceção, existem sempre os karaokês – mas aí já é pra quem esteja procurando barulho…
Moral da história? Por mais que eu tenha amado o Japão, acho que não conseguiria morar lá. E acho que a Ana também não. Afinal, do que é que a gente iria reclamar?

  4 comments

  1. Marcie   •  

    Eu que agradeço a honra do convite. E mais ainda o título de rabugenta honorária. É muita honra num só dia, minha gente! 🙂

  2. Luciana Betenson   •  

    Ah só vocês duas mesmo 🙂 Espero que Nextel esteja incluido nesta proibição, afinal ninguém merece!!

  3. Noite em Claro   •  

    E eu que nem sabia que você (deixa o senhora pra lá, pode pegar mal…) tinha um blog!

    Mas realmente, o silêncio no Japão é algo levado MUITO a sério.

    Abraços
    Renato

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