Um copo espacial

Aos pouco este blog, que nasceu para reclamações, está se tornando um espaço de recordações. Será o prenúncio de uma velhice menos rabugenta? Que seja, vamos a mais uma recordação!

Em meados dos anos 70, eu estava cursando o que então se chamava colegial, correspondente ao ensino médio de hoje. Naquela época, estava muito na moda um programa de intercâmbio que trazia para o Brasil alunos americanos e levava alunos brasileiros para os Estados Unidos.

Nunca entrei nessa briga para passar uma temporada fora, mas convivi por um ano com uma colega de classe americana, chamada Linda Gay. Já não me lembro em que série eu estava, mas suponho que tenha sido a segunda, o que nos leva ao ano de 1976.

 

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(Linda me mandou essa foto muito depois de ter voltado para os Estados Unidos, em 1979)

 

Linda apareceu de repente em nossa sala de aula e fomos nos tornando amigas. Eu tinha estudado inglês desde criança e, por isso, falava com mais desenvoltura que meus colegas de classe. Como Linda ainda não sabia nada de português quando chegou, acabei me tornando sua amiga e tradutora, nos primeiros dias de aula.

Ela vinha do Texas, mais exatamente de Houston, e o pai dela trabalhava na NASA, num projeto do qual eu nunca tinha ouvido falar: o space shuttle, uma espaçonave que, ao contrário das que existiam até então, seria capaz de voar para o espaço e retornar para a Terra, decolando e pousando sucessivas vezes.

Linda e eu ficamos amigas. Ela frequentava minha casa e adorava as comidas bem caseiras que minha mãe fazia. Amou o bolinho de chuva, por exemplo. Mas sua paixão maior foi a mandioca, a tal ponto que tentou levar algumas para os Estados Unidos, quando voltou para lá.

Quando ela partiu, deixou de presente para mim um copo alusivo ao projeto da NASA em que seu pai trabalhava. Tenho o copo ainda hoje e a foto do post dá uma ideia de como ele é.

 

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(Em primeiro plano, a nave. No fundo, a Terra vista da Lua)

 

A gente se correspondeu por algum tempo – ainda não existia internet, lembram? Depois perdemos contato e nunca mais soube dela.

Quando, anos depois, o Columbia fez o seu primeiro voo de ida e volta ao espaço, entendi melhor o projeto em que o pai da minha amiga americana trabalhava.

Nesses tempos de redes sociais e google, tentei localizar minha amiga de adolescência, mas não consegui. Quando coloco Linda Gay na procura, recebo resultados muito malucos, que surgem em razão dos usos brasileiros das duas palavras que compõem seu nome.

Fico, portanto, com as lembranças e com o copo. Pensando bem, talvez seja até melhor assim!

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