Umas com tanto, outras com nada

Introdução:

Semanas atrás, numa tweeting conversation entre a Cláudia (link abaixo), Natalie (link abaixo), Carina (link abaixo), Patricia (link abaixo), Carmem (link abaixo) e Marcie (link abaixo), surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma considerava “viu-tá-visto”. Aí a conversa evoluiu e decidiram fazer também uma segunda lista – com cidades ou países para onde voltariam sempre. Como a idéia parecia boa, uma comentou aqui, outra comentou ali… no fim, a notícia se espalhou e conquistou dezenas de adeptos. Diante disso, decidiu-se fazer uma blogagem coletiva.

Segue o meu texto.

Uma das situações mais complicadas para mim é quando alguém me pergunta de onde eu sou. Geralmente respondo com outra pergunta, ou uma série de perguntas. Onde nasci, nunca morei. Onde moro, não me sinto enraizada. Minha vida, da mais tenra infância até completar umas três décadas de existência, sempre foi povoada de malas, caixas e caminhões de mudança.

Acho que esse início nômade de vida me deixou o gosto pela estrada. Sempre que posso, viajo.

Agora, por exemplo, encontro-me em plena viagem, escrevendo no aeroporto, enquanto espero a próxima conexão.

Daí que, pensando nas viagens, elaborei uma pequena hipótese de classificação de cidades. Começa com uma divisão em dois grandes grupos: cidades que chamarei de “cenográficas” e as de “vida real”.

As cenográficas são aquelas em que o conjunto de locais de interesse turístico fica mais ou menos agrupado, permitindo que o turista passeie por ali apenas no exercício de sua atividade turística, praticamente sem contato com a dinâmica da vida de quem mora ali. Acabo de sair de uma cidade assim: Praga. No Brasil, podemos pensar em Tiradentes, até mesmo Ouro Preto.

As cidades da vida real, por outro lado, são aquelas em que o turista, mesmo fazendo seu périplo pelos locais que aparecem nos guias, tem contato com a dinâmica da vida real dos moradores. Minha cidade preferida no mundo – até aqui – é Madri, e lá acontece exatamente isso: a gente vai de um ponto turístico ao outro, mas percebe que há uma vida real acontecendo ali à sua volta. Essa para mim é a diferença fundamental entre Madri e Barcelona: nesta última, dá pra esquecer que há vida “normal” fora do circuito turístico.

Quando viajo, tenho certa preferência pelas cidades do segundo tipo, embora não deixe de apreciar uma bela cidade cenográfica, como Ouro Preto ou Barcelona, mesmo que muito frequentemente me assalte a sensação de que tudo ali está preparado para arrancar do turista cada centavo de seu dinheiro…

Essas cidades que chamei de “vida real” poderiam ser divididas em dois outros grupos: aquelas que se abrem fácil para que o turista se integre ao seu ritmo (como sinto que acontece na minha relação com Madri e que aconteceu recentemente também com Budapeste) e aquelas que tornam a vida do turista mais difícil, como sinto que aconteceu comigo, (para pegar outro exemplo recente) com Viena.

Nessas cidades, a gente sofre pra entender como ir de um lugar ao outro, parece que a cidade resiste a entregar-se ao nosso desfrute. Sistema de transporte confuso, informações apenas na língua local, falta de clareza nos mapas são algumas coisas que me fazem sentir não acolhida pela cidade. E, nos tempos que vivemos, um outro inconveniente freqüente dessas cidades é não oferecer com muita facilidade wifi grátis.

Enfim, cidades assim são aquelas em que eu saio de lá pensando: ufa, que bom, está vista e não preciso mais voltar aqui!

Já as cidades mais acolhedoras me fazem querer voltar sempre que possível. Não é por outra razão que, sempre que vou para a Europa, faço de Madri meu ponto de chegada e partida. Ali me sinto quase em casa, embora esteja viajando.

LINKS DOS BLOGS PARTICIPANTES:

 

 

http://www.abrindoobico.com

(Marcie)

http://www.aprendizdeviajante.com(Claudia)

http://www.big-trip.net

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http://www.deunstempospraca.blogspot.com(Carmem)

http://www.dicasroteirosviagens.com

http://www.dondeandoporai.com.br

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http://www.guardandomem.blogspot.com

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http://www.viagempelomundo.com

http://www.viaggiando.com.br

http://www.viajarepensar.blogspot.com

  13 comments

  1. Marcie   •  

    Que texto sensacional, Ana. Adorei!
    E quando quiser marcar mais uma pra Madrid (que não seja no verão…!), conte comigo.

  2. chico   •  

    Ana, acho que vc foi na mosca no que diferencia Budapeste e Praga. Assino em baixo. E olha que em Praga eu fiquei na casa de amigos residentes quando fui em 2005! bjs.

  3. Lelei   •  

    Com certeza, o post mais maduro dos que li hoje. De rabugenta não tens nada, adorei a leveza e beleza que mostraste os dois lados da vida viajante. Fez até Madri ficar bonita, uma das que não cheiravam nem fediam pra mim 🙂

  4. Camila Navarro   •  

    Ai, ai… Acho que meu fraco é pelas cidades cenográficas… 😉

    Lindo texto!

  5. Ana   •  

    Marcie, quem sabe a gente pensa numa conVnVençãozinha em Madri, fora do verão?
    Chico, que bom que gostou! E olha, suas dicas me ajudaram muito a curtir tanto Budapeste!
    Lelei, fico feliz em saber que a minha rabugice não tenha estragado este post!
    Camila, cidade cenográfica também pode ser bom… Eu é que tenho uma quedinha maior pelas outras…

  6. CarlaZ   •  

    Muito bom o texto! Adorei a forma como dividiu as cidades.
    Sabe que penso que umas cidades são assim mesmo agrupam muitas atrações e para o turista entender o dia a dia da cidade tem que ir atras. E é por isso que quero voltar a Istambul e Roma.

  7. Raquel Bell   •  

    Olá gostei das tuas colocações sobre as cidade cenográficas e cidade reais. Me senti em uma cidade totalmente cenográfica em Veneza, apesar de bela não voltaria.

  8. Merél   •  

    Adorei a teoria e, escrevendo, estava pensando em como classificar as cidades que hoje em dia prefiro visitar, e as cidades que não me atraem mais tanto. Acho que estou num momento de cidades cenográficas, como você muito bem colocou; talvez não no sentido pega-turista, mas mais como um escape da realidade. Eu já moro em uma cidade “vida real”, o Rio de Janeiro. Pra passear, no momento, tenho achado melhor fugir disso… pra arejar a mente um bocadinho 🙂

  9. Lena   •  

    Também adorei o texto! Aquelas que você chama de “Cidade Real” que se abre para o turista, eu comentei no post da Merel que é como se a gente participasse da loja, estivesse do lado lá da vitrine. Já em outras, a gente tem a sensação de estar assistindo a vida acontecer do lado de fora da vitrine.
    E para voltar a discussão do twitter de uns dias passados, quando fui a Barcelona fiquei na casa de um amigo e econtrei vários outros. Então, pra mim, Barcelona não tem nada de cenográfico, mesmo com a aquela Saagrada Família cheia de operários que nunca irão terminá-la! 😉

  10. Mirella Matthiesen   •  

    Adorei o texto… muito bacana!
    Viena me impressionou tanto.. achei legal ver que outros trips tiveram uma experiência diferente na cidade 🙂
    Viva a diferença.
    E quando rolar a ConVnVenção em Madrid, me avisa… quero conhecer a cidade com os entendidos 🙂
    Abs

  11. Wolney Fernandes   •  

    Ana, em meus passeios virtuais acabei chegando no seu blog e adorei. É certo que voltarei mais vezes, com mais tempo para apreciar os textos que, a princípio, já me ganharam!
    Acabei de chegar de uma cidade de “vida real” e são estas que deixam a gente com aquela vontade boa de retornar. De cidades cenográficas, bastam as da ficção! Realidades pra todo mundo e em abundância!
    Grande abraço!

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