Vovó viu a vuvuzela.

Já começo avisando: eu não gosto de futebol. Não tenho um time preferido e praticamente me obrigo a ver os jogos do Brasil na Copa. Geralmente enquanto faço alguma outra coisa pra me distrair do tédio que aqueles 90 minutos me causam. Não deixo de assistir porque também não quero ficar de fora dos papos e noticiários, que em época de Copa só versam sobre esse tema.
Agora em 2010, a reboque das conversas e notícias, surgiu a palavra “vuvuzela”, que eu nunca tinha ouvido antes. Lá fui eu em busca de informações, portanto!
Descobri graças ao Google que se trata de uma corneta usada na África do Sul, durante os jogos de futebol. Até aí, nada de novo.
As novidades preocupantes apareceram depois, quando achei algumas notícias relacionadas ao volume do ruído de uma vuvuzela: 114 decibéis. Tocando simultaneamente, chegam a 127 decibéis. Muito mais do que um helicóptero decolando (98 decibéis), do que o trânsito infernal de São Paulo (média de 80 decibéis na Marginal do Tietê). Tambores chegam a 122 decibéis. Apitos a 121.
Segundo informações do Robert Beiny que encontrei aqui, numa pessoa exposta a som de volume superior a 100 decibéis a perda auditiva pode acontecer depois de apenas 15 minutos.
Agora imaginem as pessoas expostas durante 90 minutos a essa orquestra de vuvuzelas nos estádios!!!
Segundo a Norma Regulamentadora 15 do Ministério do Trabalho e Emprego, a tolerância humana para sons altos como o da vuvuzela é de apenas 8 minutos. A mesma norma afirma que é proibido expor qualquer pessoa a níveis de ruído acima de 115 decibéis sem proteção no ouvido. Essas normas existem para proteger as pessoas da surdez, mas parece que ninguém da FIFA pensou nisso quando autorizou o uso das vuvuzelas nos estádios da Copa.
Alguns afirmam que a vuvuzela é um instrumento africano tradicional e que impedir o seu uso seria uma violência cultural… Se o critério é só esse, vamos aceitar outras “manifestações culturais” violentas, como a mutilação genital feminina, tradicional em muitos países da África, por exemplo, né?
Pelo menos fica o consolo de que há algumas campanhas para banir esse costume e livrar nossos ouvidos da surdez iminente. Uma delas pode ser encontrada no site vuvuzelas.org, infelizmente disponível apenas em alemão. A campanha deles usa este banner, que coloco aqui pra quem quiser aderir:
É isso aí: por um mundo mais silencioso, fora com as vuvuzelas. Talvez assim eu até tenha uma objeção a menos quanto a ver os jogos da Copa…

  9 comments

  1. Chris A. Angelotti   •  

    Rsrs ADOREI Ana!
    Eu como detesto futebol, aproveitarei meu tempo para ler, já que o país literalmente para nesta época.
    estou ficando bem rabugenta, não quero nem me inteirar do assunto para ter papo…
    E como boa fonoaudiologa, que também sou, abaixo as vuvuzelas!

  2. crapucci   •  

    Ana, descobri que o horário de jogo é ótimo pra marcar bancas… todo mundo tá livre!!! kkkkkkkkkkk!!

  3. Maul   •  

    Bem bom, Ana!
    Tb enviei petição reclamatória ao SAC do Divino. Temos as pálpebras que nos garantem o direito de não vermos. Sistema similar aos ouvidos, eu sugeri. Até agora, apenas ouvidos moucos… Será que Ele(s) emprega(m) as vuvuzelas no céu? Saudade dos tremendos anjos trombeteiros que derrubavam muralhas e moviam montanhas, mas não se tem notícia de quem tenham ensurdecido alguém.
    Se escutar algo, avisa-me!
    Baita beijo.
    M.:

  4. Claudio Júnior   •  

    Perfeito mesmo, Ana.
    Concordo plenamente com o que você disse. Torcida, gritos, euforia é normal no futebol e alguns outros esportes. Mas utilizar um instrumento DESSES… Cornetas já são o bastante ruidosas… Imagina uma VUVUZELA.
    De acordo com a BBC, parece que a Fifa estyá estudando sim banir esses raios dos jogos da Copa por motivos não de saúde. Mas porque o barulho feito pode até tampar o grande coro de vozes que soam durante os 90 minutos de jogo.
    Pela saúde ou não, esse barulho deve ser banido!! (e diga-se de passagem a palavra, que me lembra muito um portugues africano quando me vem a mente… me dá até uma dor no peito a cada VUVUZELA dita pelo galvão, pelos reporteres…)

  5. Márcia   •  

    Terrível mesmo essa tal de Vuvuzela! A impressão que eu tenho é de que tem uma mosca varejeira gigante voando sobre o estádio!É irritante! Sinto muito, mas o povo africano nesse sentido é bem atrasado, não?!?

  6. Feffa   •  

    atrasado pq? não é atraso é cultura! irritante.. mas cultura!

    como se o Brasil não fosse irritante com o funk e os sertanojos..

    Se incomode mas não chame a Africa de atrasada Márcia

  7. Claudio Adas   •  

    Instrumento dos infernos essa vuvuzela. E acaba ofuscando toda a alegria, os cantos e os gritos das torcidas. E não tem nada de cultural ou tradicional já que surgiram no início da década de 90. Algumas emissoras estrangeiras já estão transmitindo os jogos sem esse barulho infernal. Aliás, rodeios, farras do boi e outras barbaridades também são supostas “manifestações culturais” e nem por isso menos nocivas.

  8. Feffa   •  

    meu irmão… a cultura nasce! é uma característica deles a partir de agora, gostar do barulho infernal ensurdecedor e insuportável da vuvuzela.. mas não acho legal ficar falando mal deles.. chamando-os de atrazados! RESPEITO é sempre importante! não sou a favor da vuvuzela.. mas não fico falando mal dos africanos! entenda!

    “se sua mente não é aberta, fecha a boca também”

  9. Abraçador   •  

    Ana,
    Mãe de uma amiga, dia desses, jogo do Brasil, feriado nacional, sai mais cedo do trabalho, para na única venda aberta e: Por que tudo fechado? Sim, mas jogo de quem? Ah, mas em que campeonato? Ninguém entende. Assisti, num trecho de minutos, o jogo Paraguai – Espanha. Primeiro jogo que vejo, já ouvira vuvuzelas ao vivo, mas nunca a sinfônica de vuvuzelas que percorre toda a partida. Num dado momento, jogadores passaram a carros e eu estava vendo a Fórmula Um (cada vuvuzela um escape da mente: e agora duplos). Cinquenta e cinco mil. Graça. “Rampa pro fracasso”. Vuvuzelice.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *